Uma
versão macabra de um big brother
levado a dimensões surreais. É nessa premissa que se baseia Jogos Vorazes, a
grande aposta (e vitória, pode-se dizer) da Lionsgate para a indústria
cinematográfica e multimídia nos próximos anos. Sob direção de Gary Ross e baseado nos livros
de Suzanne Collins, esta é mais uma série que vem pra entrar pra história das
maiores bilheterias mundiais do cinema. Já no primeiro final de semana, Jogos
Vorazes ocupou a 3ª posição de bilheteria de estréia de todos os tempos, só
ficando atrás de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II e Batman – O
Cavaleiro das Trevas.
Com
um elenco contando com vários nomes novos de Hollywood, a primeira história da
trilogia de Collins mostra um país depois de uma guerra civil que quase o
destruiu. Os 12 distritos de Panem participam de uma espécie de festival de
celebração à harmonia instaurada pela Capital. Um casal de jovens com até 18
anos de cada distrito deve participar dos Jogos Vorazes como tributo, mas
somente um sai vivo de lá. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence, de X-Men –
Primeira Classe) e Peeta Mellark (Josh Hutcherson, de Ponte para Terabítia) são
os tributos da vez que irão à Capital.
Treinamento,
aparência, patrocínio, e uma multidão sedenta pelo show (situação que faz
lembrar os coliseus e de seus espetáculos de horror com lutas entre gladiadores
na Roma Antiga) dão o toque de realidade exagerada que a história pede. Cada participante
tem suas habilidades específicas, mas perante concorrentes que foram treinados
a vida toda para estar ali, a dificuldade parece só aumentar. Mudanças de regra
durante o jogo, manipulações físicas do espaço e condições extremas para
sobrevivência são só alguns fatores que dão intensidade à narrativa. Diálogos sendo
mais significativos para o show do que para o espectador do filme e riqueza de
imagens em detalhe para ilustrar a sensação de quem está no Jogo foram métodos
muito bem utilizados pelo diretor, conseguindo fazer até mesmo quem não leu os
livros se envolver com a história.
Apesar
da necessidade de muita ação para contar como são eliminados um a um os
concorrentes, a câmera em movimento em excesso e fora de foco irrita os olhos e
pode chegar a ser desagradável. A direção de arte acertou em manter o mais verídico
possível o visual já que o terreno era campo e floresta, mas essa mesma
sobriedade apurada demais tira um pouco da tensão que tons escuros poderiam
proporcionar. A produção dos efeitos
futurísticos não fugiu ao esperado, apesar da caracterização trazer ineditismo
se tratando dos trajes urbanos exagerados em cores e formatos – quase que uma
sátira aos cosmopolitas do futuro.
Com
uma trilha sonora muito bem adequada, sem ruídos demais, nem previsível no
final das contas, Jogos Vorazes agrada pelas atuações dos jovens e repercute em
reflexões sobre temáticas midiáticas e sociais quando levado a sério. Instigante
e até angustiante em alguns momentos, a narrativa provoca choque, surpresa e
faz com que não saibamos pra quem torcer afinal. São jovens lutando pela
própria vida, representando a terra de onde vieram e que não tem (quase) nada além
de si mesmos como proteção. Vencer pelo cansaço ou pela desistência não está no
vocabulário de quem assiste ao programa, eles querem o show, e é só assim que
os tributos poderão sobreviver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário