domingo, 22 de agosto de 2010

Solid Impression

A arte da Fotografia se resume a um pilar principal: Captar nas sombras, na minunciosidade e no detalhe, o que cada imagem tem a oferecer de mais original e belo. A aos observadores. O modo como cada um vê a singularidade dos muitos aspectos físicos que o mundo tem a oferecer pode ser transmitido numa fotografia, juntamente com o tranparecimento da personalidade através de traços permitidos à imagem pelo fotógrafo (seja por meio de edição ou, simplesmente, por um ângulo característico).

Aos amadores, a oportunidade da busca pelo aperfeiçoamento; aos profissionais, a concretização de um estilo próprio que ofereça beleza aos olhos de outras pessoas, gerando reconhecimento e despertando interesse pela arte. Cada qual com motivos inerentes à personalidade e interesses, o mais interessante é que a Fotografia segue avançando nas técnicas, mas a beleza natural dos objetos de captura segue sendo a mesma, provando que quanto mais admiramos a natureza de composições, mais instigante é o desafio de capturar o 'além do óbvio' de tudo.

Novas perspectivas, novos olhares, novas sensações. Por aí segue a Fotografia, e também nós, os fotógrafos por paixão.


R. Lorenzi


Fotografias por Paola Tesser
Twitter: @heylittlepaola
Flickr: http://www.flickr.com/photos/paolahatesyou/

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Give me something to believe

É notável a popularidade que estórias fantasiosas, principalmente as sobrenaturais, têm mostrado nos últimos tempos. Enredos puramente oriundos da imaginação de seus autores, mitologia adaptada e incrementada com novos elementos, e contos tradicionais reescritos e produzidos de maneira viável para a atração do público; nada mais é muito surpreendente visto tudo que já foi lido, escrito, produzido, aprimorado e mostrado. A gama de alternativas pra quem gosta e procura esse tipo de entretenimento é gigante, assim como a de oportunidades para criticar essa nova face da cultura pop.

Se você foi criança e nunca acreditou num mundo onde pudesse escolher seu papel, o personagem que encarnaria na história, então tem toda a razão para contradizer sem margem para erro tudo que vou contestar e afirmar ao longo desse escrito; caso contrário, abra sua mente e tente tomar uma posição neutra, entendendo o porquê de todo esse fanatismo que circula entre os fãs para com as ‘suas’ histórias.

Todos vivemos num mundo em que a realidade é nada mais do que o concreto/cimento para o dia a dia. Por realidade, tomo uma rotina estabelecida ao longo do tempo; portanto para que haja uma mudança, uma renovação de ares é preciso alterar algum componente daquilo que se tornou nada menos do que a parte fixa e estável do cotidiano. Sem a necessidade de grandes tomadas de decisão sempre estaremos fora de risco, porém muito pouco de excitante pode acontecer e fornecer uma razão para criar possibilidades na expectativa e – porque não?- sonhar. É dessa perspectiva que vejo os contos e histórias fantásticas aos quais temos acesso atualmente. Vampiros? Lobos? Bruxos? Magia? É de comum acordo ponderar o por quê de gostar com tanta intensidade de narrativas com elementos tão fora da realidade. Fuga. É assim que encaro a possibilidade de se identificar com os personagens de uma história tão improvável de se tornar real, para fugir do que é tão acessível e comum a todos durante todo o tempo. É se envolvendo com um livro ou um filme desse gênero que podemos transitar entre a nossa realidade – principalmente buscando elementos da própria personalidade – e a daquele mundo surreal, onde tudo é possível, ou quase tudo.

O fanatismo por personagens, chegando até a prejudicar atores caso a obra tenha adaptação para o cinema, pode sim ser exagerado, e, às vezes, considerado como modo de suprimir algum tipo de desespero interno que as pessoas têm para conseguir entrar naquele mundo paralelo, onde viveriam na pele quem quisessem, já sabendo o fim que levariam, ou pelo menos, o que aconteceria com os próprios enquanto a duração estivesse em curso. Seria muito mais fácil acreditar num mundo com todas as fantasias já imaginadas e não ter que encarar a todo o momento os problemas reais que insistem em provar a nossa existência; com a tecnologia já é possível tangenciar, nem que sejam minimamente, alguns elementos de histórias e proporcionar a sensação genérica do que é proposto aos personagens. Claro que poucos são aqueles que conseguem ter contato com esse tipo de realidade subvertida, a grande maioria abusa da criatividade e se satisfaz com as histórias.

Com o Jornalismo temos uma enxurrada de fatos reais, com a Literatura o engrandecimento da alma e a opção de entrar na vida dos personagens que nos trazem tanta inspiração, e com o Cinema podemos ser favorecidos com a imagem daquilo que nunca passou da pura imaginação. O fascínio que histórias como a Saga Crepúsculo, Harry Potter, Senhor dos Aneis, Desventuras em Série, Alice, Crônicas de Nárnia e outros exercem é na execução do improvável. É ali onde tudo que imaginamos desde crianças tem vida e interage com natureza, tecnologia e até com humanos. Seria soberba da humanidade afirmar com certeza que nada daquilo possa ser real, afinal do mesmo modo que a raça humana pensa ser superior, assim podem pensar outras formas de existência que coexistem conosco sem que ao menos saibamos da sua presença. Então aqui fica registrado o incentivo ao exercício imaginativo, seja ele por meio de filmes, livros ou conversas, porque fantasia nunca fez ninguém sofrer, no máximo proporcionou o lugar perfeito à alguém em uma sociedade fictícia, fazendo esse alguém sentir a aceitação à qual todos temos o direito.


“Imagination is more important than knowledge” - Einstein
R. Lorenzi











terça-feira, 1 de junho de 2010

Triângulos do momento

Agora em maio a maioria das séries americanas apresentou seus finais de temporada e The Vampire Diaries não fugiu à regra – com um season finale prometendo muito pra próxima temporada que fique bem claro. Aí, sendo eu um entusiasta de adaptações bem sucedidas da literatura pra sétima arte, ou a televisão nesse caso, fui atrás das obras originais em que a série é baseada.
A obra completa foi traduzida como “Diários de Vampiro” para o português por Ryta Vinagre, tradutora reconhecida no meio e responsável por outros trabalhos conhecidos como a própria Twilight Saga, e é dividida em 3 volumes assim como na versão original, sendo eles: O Despertar, O Confronto e A Fúria, por último. O desenrolar dos livros se dá de uma maneira original para a época em que foram publicados (1991), mas pouco se compara aos modelos de romances que temos hoje em dia; é notável a semelhança com a construção de personagens e conceitos místicos usados por Stephenie Meyer em Crepúsculo e seus descendentes, mas cada um com suas excentricidades. Claro que pela data de publicação dá pra saber qual se originou de qual, mas vale a pena ler ambos se o leitor se livrar completamente de julgamentos.
Visivelmente, e por aqui me refiro aos aspectos físicos dos personagens e cenários, a série de televisão se diferencia bastante da obra literária - para melhor ouso acrescentar. Personagens que não existem nos livros, trama muito mais bem intrincada e complexa dando o tom de mistério e aventura mais intensos, além de desviar das recentes histórias de vampiro logo nos primeiros episódios. Muitas dessas impressões podem não perdurar pelas próximas temporadas, mas pelo começo já tá valendo o esforço. Acredito que a história vá ganhar uma outra linha de evolução mais pra frente, pois nos livros, se assim for feita a comparação, o enredo é muito mais genérico e não tem tanto ‘pano pra manga’, somente o suficiente para dar origem aos três volumes de L. J. Smith.
Quando posto contra o sucesso meteórico de S. Meyer, algumas semelhanças não devem ser levadas em conta, afinal, ambas as histórias partem da mesma base, os mesmos mitos adaptados às preferências de seus autores. Os livros de Smith não apresentam tanta fluidez, nem têm tanta presença psicológica como os personagens de Meyer. A sequência de fatos afeta diretamente os personagens e as conseqüências são imediatas, simples assim. Quem já teve a oportunidade de ler algum livro da saga de Edward e Bella entende que todos os pensamentos são relatados e sentimentos quanto a tantos personagens da história, aprofundando mais o leitor no universo ficcional com riqueza de detalhes.
O diário, presente no título da coletânea dos livros e no nome da série de TV, aparece muito mais na leitura do que no roteiro de The Vampire Diaries, onde esteve presente nos primeiros episódios e depois foi esquecido ou omitido até a próxima temporada. Para o desenrolar dos livros, os diários são essenciais, aparecendo até a última página do último volume, já no seriado o rumo tomado possibilitou a ocultação dos registros de Elena sobre tudo que se passa em sua cabeça.
Se mistério, amor, aventura, sangue e sobrenaturalidade pertencem ao seu cardápio favorito de histórias, sinta-se a vontade e boa diversão com os livros, séries ou filmes do gênero.
Tá aí a dica e a deixa para embarcar nessas sequências de histórias fascinantes.





R. Lorenzi

domingo, 18 de abril de 2010

O Filho Eterno

Confesso que fui surpreendido quando comecei a ler O Filho Eterno, do autor Cristóvão Tezza, livro que consta nas leituras obrigatórias para o vestibular 2011 da UFRGS.
Pois então, a história gira em torno de um pai que passa por todo aquele processo de ansiedade, angústia, pesagem de responsabilidades, planejamento para o futuro enquanto se encontra na sala de espera de um hospital no qual sua esposa há pouco foi admitida e está em trabalho de parto. A narrativa se dá evocando de maneira bem montada a correria psicológica do personadgem principal. Assim que os médicos aparecem, é dada ao pai a notícia que vai mudar sua vida, pra pior, a princípio. De acordo com os médicos a criança apresentou alguns sinais físicos de que é portadora da trissomia do cromossomo 21, a Síndrome de Down. mais conhecida como 'mongolismo' naquela época. É a partir daí que o mundo cai para aquele pai, e tudo que pode pensar é em uma tese de mestrado/doutorado que revisou há pouco tempo falando sobre a trissomia 21. Retardo mental, problemas cardíacos, aprendizagem prejudicada, e tudo que acarreta essa anomalia genética. Sua vida começa a acabar naquele momento, e ele lembra que, conforme leu, é comum as crianças portadoras da Síndrome morrerem após pouco tempo de nascidos. Torce para que essa casualidade se aplique ao seu filho também. É melhor que tudo aquilo acabe logo e possam ir em frente, pensa o pai.
No decorrer da situação, tratamentos e programas de estímulo são oferecidos como alternativas e por aí segue a trama de um casal de pais com um filho portador da trissomia 21 na década de 80, onde os recursos e estudos nessa área da medicina eram escassos e a vergonha que um filho nessas condições trazia era motivo de atitudes drásticas em alguns casos.
O enredo aborda também a história de vida do pai, cujo nome não é citado em momento algum no livro, de Felipe. Suas aventuras na Alemanha quando mais jovem, sua iniciação no amor, e por aí em diante, sempre relacionando às condições em que Felipe se encontra, seus avanços, seu modo de ver as situações, sua limitações, sua vitórias em seu próprio mundo imaginário e confortável, onde tem consciencia de muito pouco, mas é suficiente para viver intensamente cada momento com a família e seus desenhos. A relação com a irmã mais nova, sua paixão pelo Atlético, seu comportamento frente a outras pessoas e situações novas e muito mais é retratado com realidade impressionante e acompanhamento de tudo que se passa na cabeça do pai, narrador da história. O pai, um escritor meio frustrado, tardiamente formado em Letras e finalmente adepto ao sistema vai fundo em cada emoção trazida pelo convívio com Felipe, e na aprendizagem que só uma criança especial consegue trazer à vida de alguém.
Uma história emocionante está a espera de quem ler o livro e estiver disposto a se livrar de julgamentos desde o início. Leitura altamente recomendada.





Frase do livro:

"O inesgotável poder da mentira se sustenta sobre o invencível desejo de aceitá-la como verdade." Cristóvão Tezza


R. Lorenzi