domingo, 18 de abril de 2010

O Filho Eterno

Confesso que fui surpreendido quando comecei a ler O Filho Eterno, do autor Cristóvão Tezza, livro que consta nas leituras obrigatórias para o vestibular 2011 da UFRGS.
Pois então, a história gira em torno de um pai que passa por todo aquele processo de ansiedade, angústia, pesagem de responsabilidades, planejamento para o futuro enquanto se encontra na sala de espera de um hospital no qual sua esposa há pouco foi admitida e está em trabalho de parto. A narrativa se dá evocando de maneira bem montada a correria psicológica do personadgem principal. Assim que os médicos aparecem, é dada ao pai a notícia que vai mudar sua vida, pra pior, a princípio. De acordo com os médicos a criança apresentou alguns sinais físicos de que é portadora da trissomia do cromossomo 21, a Síndrome de Down. mais conhecida como 'mongolismo' naquela época. É a partir daí que o mundo cai para aquele pai, e tudo que pode pensar é em uma tese de mestrado/doutorado que revisou há pouco tempo falando sobre a trissomia 21. Retardo mental, problemas cardíacos, aprendizagem prejudicada, e tudo que acarreta essa anomalia genética. Sua vida começa a acabar naquele momento, e ele lembra que, conforme leu, é comum as crianças portadoras da Síndrome morrerem após pouco tempo de nascidos. Torce para que essa casualidade se aplique ao seu filho também. É melhor que tudo aquilo acabe logo e possam ir em frente, pensa o pai.
No decorrer da situação, tratamentos e programas de estímulo são oferecidos como alternativas e por aí segue a trama de um casal de pais com um filho portador da trissomia 21 na década de 80, onde os recursos e estudos nessa área da medicina eram escassos e a vergonha que um filho nessas condições trazia era motivo de atitudes drásticas em alguns casos.
O enredo aborda também a história de vida do pai, cujo nome não é citado em momento algum no livro, de Felipe. Suas aventuras na Alemanha quando mais jovem, sua iniciação no amor, e por aí em diante, sempre relacionando às condições em que Felipe se encontra, seus avanços, seu modo de ver as situações, sua limitações, sua vitórias em seu próprio mundo imaginário e confortável, onde tem consciencia de muito pouco, mas é suficiente para viver intensamente cada momento com a família e seus desenhos. A relação com a irmã mais nova, sua paixão pelo Atlético, seu comportamento frente a outras pessoas e situações novas e muito mais é retratado com realidade impressionante e acompanhamento de tudo que se passa na cabeça do pai, narrador da história. O pai, um escritor meio frustrado, tardiamente formado em Letras e finalmente adepto ao sistema vai fundo em cada emoção trazida pelo convívio com Felipe, e na aprendizagem que só uma criança especial consegue trazer à vida de alguém.
Uma história emocionante está a espera de quem ler o livro e estiver disposto a se livrar de julgamentos desde o início. Leitura altamente recomendada.





Frase do livro:

"O inesgotável poder da mentira se sustenta sobre o invencível desejo de aceitá-la como verdade." Cristóvão Tezza


R. Lorenzi




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