segunda-feira, 19 de julho de 2010

Give me something to believe

É notável a popularidade que estórias fantasiosas, principalmente as sobrenaturais, têm mostrado nos últimos tempos. Enredos puramente oriundos da imaginação de seus autores, mitologia adaptada e incrementada com novos elementos, e contos tradicionais reescritos e produzidos de maneira viável para a atração do público; nada mais é muito surpreendente visto tudo que já foi lido, escrito, produzido, aprimorado e mostrado. A gama de alternativas pra quem gosta e procura esse tipo de entretenimento é gigante, assim como a de oportunidades para criticar essa nova face da cultura pop.

Se você foi criança e nunca acreditou num mundo onde pudesse escolher seu papel, o personagem que encarnaria na história, então tem toda a razão para contradizer sem margem para erro tudo que vou contestar e afirmar ao longo desse escrito; caso contrário, abra sua mente e tente tomar uma posição neutra, entendendo o porquê de todo esse fanatismo que circula entre os fãs para com as ‘suas’ histórias.

Todos vivemos num mundo em que a realidade é nada mais do que o concreto/cimento para o dia a dia. Por realidade, tomo uma rotina estabelecida ao longo do tempo; portanto para que haja uma mudança, uma renovação de ares é preciso alterar algum componente daquilo que se tornou nada menos do que a parte fixa e estável do cotidiano. Sem a necessidade de grandes tomadas de decisão sempre estaremos fora de risco, porém muito pouco de excitante pode acontecer e fornecer uma razão para criar possibilidades na expectativa e – porque não?- sonhar. É dessa perspectiva que vejo os contos e histórias fantásticas aos quais temos acesso atualmente. Vampiros? Lobos? Bruxos? Magia? É de comum acordo ponderar o por quê de gostar com tanta intensidade de narrativas com elementos tão fora da realidade. Fuga. É assim que encaro a possibilidade de se identificar com os personagens de uma história tão improvável de se tornar real, para fugir do que é tão acessível e comum a todos durante todo o tempo. É se envolvendo com um livro ou um filme desse gênero que podemos transitar entre a nossa realidade – principalmente buscando elementos da própria personalidade – e a daquele mundo surreal, onde tudo é possível, ou quase tudo.

O fanatismo por personagens, chegando até a prejudicar atores caso a obra tenha adaptação para o cinema, pode sim ser exagerado, e, às vezes, considerado como modo de suprimir algum tipo de desespero interno que as pessoas têm para conseguir entrar naquele mundo paralelo, onde viveriam na pele quem quisessem, já sabendo o fim que levariam, ou pelo menos, o que aconteceria com os próprios enquanto a duração estivesse em curso. Seria muito mais fácil acreditar num mundo com todas as fantasias já imaginadas e não ter que encarar a todo o momento os problemas reais que insistem em provar a nossa existência; com a tecnologia já é possível tangenciar, nem que sejam minimamente, alguns elementos de histórias e proporcionar a sensação genérica do que é proposto aos personagens. Claro que poucos são aqueles que conseguem ter contato com esse tipo de realidade subvertida, a grande maioria abusa da criatividade e se satisfaz com as histórias.

Com o Jornalismo temos uma enxurrada de fatos reais, com a Literatura o engrandecimento da alma e a opção de entrar na vida dos personagens que nos trazem tanta inspiração, e com o Cinema podemos ser favorecidos com a imagem daquilo que nunca passou da pura imaginação. O fascínio que histórias como a Saga Crepúsculo, Harry Potter, Senhor dos Aneis, Desventuras em Série, Alice, Crônicas de Nárnia e outros exercem é na execução do improvável. É ali onde tudo que imaginamos desde crianças tem vida e interage com natureza, tecnologia e até com humanos. Seria soberba da humanidade afirmar com certeza que nada daquilo possa ser real, afinal do mesmo modo que a raça humana pensa ser superior, assim podem pensar outras formas de existência que coexistem conosco sem que ao menos saibamos da sua presença. Então aqui fica registrado o incentivo ao exercício imaginativo, seja ele por meio de filmes, livros ou conversas, porque fantasia nunca fez ninguém sofrer, no máximo proporcionou o lugar perfeito à alguém em uma sociedade fictícia, fazendo esse alguém sentir a aceitação à qual todos temos o direito.


“Imagination is more important than knowledge” - Einstein
R. Lorenzi











Um comentário:

  1. A realidade é cruel e destrói aqueles que não conseguem fugir dela. Imaginar é uma boa saída, você pode ser quem quiser, um grande elefante azul que come amendoins, ou um coelho branco e fofinho, com grandes orelhas peludas. HAHHAHAHAHAHa

    Eu sou um boneco de posto num dia de ventania.


    Muito bom o texto, bem escrito, atual e verdadeiro.
    Beijo
    ;)

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