Depois
de Marley & Eu não é incomum achar livros sobre histórias com animais de
estimação. John Grogan acertou quando decidiu contar a história de um cão que
entra na família pra mudar a sua história, comovendo milhões ao relatar os
episódios do labrador. Não é difícil se identificar com histórias que envolvam
pets, afinal, querendo ou não, praticamente todo mundo já teve contato com
algum. Assim nasce mais um exemplar na literatura temática envolvendo famílias
e bichos: Huck escrito pela
jornalista do Times Janet Elder, mistura aventura, drama e solidariedade,
mostrando que a presença de um cão vai além de dar comida, água e levar pra passear.
A
obra é baseada na história de Janet, Rich (seu marido) e Michael (seu filho). O
garoto desde pequeno demonstra muito interesse por animais, em especial
cachorros, mas como a família vive em NY, os pais arrumam toda sorte de desculpas
para convencerem-no, e também a si mesmos, da impossibilidade de criar um cão
dentro daquela rotina. A história ganha força quando Janet passa por um câncer
e sua visão sobre muita coisa muda. A luta contra a doença parece sensibilizar
a autora e a ideia do cachorro não parece mais tão absurda.
Algum
tempo depois, Huck, um poodle-toy abricó, chega à Nova York e é mais bem
recebido do que se esperava. Logo, Michael e seus pais não conseguem mais se
imaginar sem o mascote. E assim continua até o momento em que a família se vê
obrigada a se separar do cãozinho para poder viajar e aproveitar um período de
férias. Uma mudança brusca nos planos da família já quando estão longe de Huck
faz a narrativa ganhar força e desenvolve a verdadeira trama da história. Cidadãos
solidários, esforços desmedidos e alguma tensão compõem o cenário do
episódio-chave do livro. O modo como o tempo é dilatado na percepção do leitor
é um fator que chama a atenção, pois na teoria pouca coisa acontece naquelas
tantas horas, mas ao mesmo tempo, o modo como a autora relata os acontecimentos
faz com que pareça uma maratona.
Apesar
dos detalhes em excesso em alguns momentos da obra, Huck tem um ritmo bom. A maneira como as ações vão acontecendo e
interligando-se faz com que a história tenha a coerência necessária, ainda que
sejamos constantemente confundidos pelo grande número de personagens que vão
atravessando a história. Quem gosta de animais e se interessa por livros dessa
temática, vale à pena a leitura; para os outros, a probabilidade de
permanecerem presos à história cai bastante. Fiel e comprometido, o livro de
Elder comove pela sensibilidade e tem algo de surpreendente no final das contas,
valendo o tempo da leitura pra lembrar que ainda existe resquícios de bondade
por aí.

Você me fez sentir vontade de ler o livro. Beijos LU.
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