domingo, 26 de fevereiro de 2012

O amor à sombra da morte


Uma garota com um tumor na cabeça que é privada de uma vida normal. Um cara com uma história complicada que costuma ir a funerais de desconhecidos. É assim que começa a história de Annabel e Enoch, unidos pela perda de alguém que ela conhecia por causa da doença e (mais) uma ida ao funeral de alguém que ele não sabia que era. Gus van Sant transforma uma história inicialmente previsível em uma trama envolvente - e por vezes intensa - de amor e perda em “Inquietos” (Restless).
Uma história não muito difícil de ser premeditada geralmente cai nos clichês e não surpreende. Em Inquietos talvez até não haja uma grande virada inesperada ou que mude o curso óbvio da história, mas a condução pelo diretor e as intervenções que os dramas secundários (história dele, dos pais, de um fantasma) enriquecem o enredo e trazem consistência à obra. Apesar da limitação imposta pelo câncer de Annie, o foco não é na batalha contra a doença, mas sim no aproveito de tempo que ainda lhe resta.
Visualmente o filme é extremamente agradável. A direção de arte é bem sucedida quanto à sutileza do ambiente em que a história se passa; uma fotografia leve e marcante em alguns contrastes dá o tom que o romance pede. O ritmo inteligente, sem pressa nem demora em demasia, propõe a velocidade ideal pra história tomar curso.
A estranheza e a atitude dos personagens é o que diferencia essa história das outras. Os interesses, as divergências e a consciência perante tudo que é inevitável são os elementos que cativam o espectador. Envolvente, sutil e emocional define “Inquietos”, um filme que diz mais sobre a capacidade de amar do que qualquer outro clichê pertinente. 

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