Uma garota com
um tumor na cabeça que é privada de uma vida normal. Um cara com uma história
complicada que costuma ir a funerais de desconhecidos. É assim que começa a
história de Annabel e Enoch, unidos pela perda de alguém que ela conhecia por
causa da doença e (mais) uma ida ao funeral de alguém que ele não sabia que
era. Gus van Sant transforma uma história inicialmente previsível em uma trama
envolvente - e por vezes intensa - de amor e perda em “Inquietos” (Restless).
Uma história
não muito difícil de ser premeditada geralmente cai nos clichês e não
surpreende. Em Inquietos talvez até não haja uma grande virada inesperada ou
que mude o curso óbvio da história, mas a condução pelo diretor e as
intervenções que os dramas secundários (história dele, dos pais, de um
fantasma) enriquecem o enredo e trazem consistência à obra. Apesar da limitação
imposta pelo câncer de Annie, o foco não é na batalha contra a doença, mas sim no
aproveito de tempo que ainda lhe resta.
Visualmente o
filme é extremamente agradável. A direção de arte é bem sucedida quanto à
sutileza do ambiente em que a história se passa; uma fotografia leve e marcante
em alguns contrastes dá o tom que o romance pede. O ritmo inteligente, sem
pressa nem demora em demasia, propõe a velocidade ideal pra história tomar
curso.
A estranheza e
a atitude dos personagens é o que diferencia essa história das outras. Os interesses,
as divergências e a consciência perante tudo que é inevitável são os elementos
que cativam o espectador. Envolvente, sutil e emocional define “Inquietos”, um
filme que diz mais sobre a capacidade de amar do que qualquer outro clichê
pertinente.

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