Meia-noite em Paris foi um filme
celebrado por quem acompanha o trabalho do diretor Woody Allen, e tanto tempo
depois do lançamento oficial eu decidi ir ao cinema pra ver . Premissas boas era
o que não faltava: Owen Wilson (de “Marley e eu”) no papel principal, Allen na
direção e Paris como cenário; apesar de tudo isso, o que a sinopse prometia
parecia ser algo difícil de ser manejado com imagens sem soberba ou exagero
desconstrutivo. Personagens incomuns e tiradas bem interessantes completam o
imaginário que a história pretendia instigar.
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| Gil e o casal Fitzgerald |
Num
tom agradável de comédia, Gil, um roteirista que foi passar alguns dias na
França com sua noiva e a família dela, começa a se apaixonar por Paris e todo o
seu encanto, mas o que mais lhe intriga é como aquela cidade inspirou os
escritores, pintores e artistas na década de 20. Entre discussões com a sua
mulher e caminhadas a noite pelas ruas da cidade, ele acaba entrando numa
espécie de mundo paralelo onde o tempo não passou e toda Paris ainda vive nos
anos 20. Ele pega carona com alguns dos nomes que, mais tarde, viriam a ficar
famosos pelo mundo inteiro como Hemingway, Dali, Man Ray e outros. Um romance
com a musa inspiradora de pintores como Picasso passa a acrescentar mais
complexidade à trama toda, deixando uma reflexão sobre a realidade no desfecho.
Fácil
de acreditar ou não, o fato de eu nunca ter assistido a um filme de Allen me
surpreendeu também. Talvez por isso que eu não sabia quais eram as minhas
expectativas pra esse filme. Gostei bastante do modo como ele dirige os
diálogos e as abordagens das cenas; a sutileza da direção dele foi bem positiva
pra mim, mas não tive o mesmo fascínio que já vi muitos terem. Os cenários são
realmente bons e a condução da trama também é boa, mas nada mais do que isso na
minha opinião. O que mais me chamou a atenção foi a falta de balanço da direção
de arte; não sou muito eficiente nos comentários sobre a direção porque não
entendo muito além do óbvio, mas quanto a direção artística sou um pouco mais
implicante, e Meia-Noite em Paris me deu abertura pra comentar mais a fundo
sobre isso. Tons amarelo-alaranjados permeiam o filme todo, e, não sei se por
implicância ou costume com outros estilos de fotografia, mas isso me incomodou
visualmente. Não é nada exagerado, claro, mas mesmo assim me pareceu sempre ter
aquela retícula colorida específica ao longo de todo o filme, deixando o
verdadeiro clima daquele tempo afetado pelo efeito visual.
Pretendo
ver outras obras de Woody Allen pra saber se foi um caso específico ou algo que
ele mantém em toda a sua filmografia, mas acho que pode-se esperar filmes de
grande qualidade dele (pelo visto haverá uma espécie de sequência de filmes
agora: um se passou em Paris, o próximo seria em Londres e o terceiro em Roma).
R. Lorenzi

Sabe Rodrigo, terei que discordar dessa sua ideia de falta de balanço. Depois de ter lido o livro 'Paris é uma Festa' de Ernest Hemingway (que conta a história da vida do escritor nos anos 20 em Paris) pude perceber a intenção de Woody Allen com este tipo de fotografia. A fonte principal de inspiração dos artistas naquela época (e ainda hoje) eram as drogas lícitas, como o alcool, que é bem grafado no livro e no filme (onde é difícil de encontrar um personagem 'das antigas' sem um copo de uisque). E talvez esse efeito visual era bem esse do envelhecido, empoeirado e até mesmo sujo. O 'brilho' da bebida, o glamour por trás das artes.. Eu me senti mais ainda dentro daquela situação por causa da fotografia escolhida. Eu acho até que se fosse meu, eu ainda deixaria mais amarelado. Agora... seria bom uma entrevista com o próprio Woody Allen para saber de suas intenções mas espero que não seja como o filme Amelie Polain onde tudo foi 'coincidência'. Aham.
ResponderExcluirSim! enquanto eu escrevia eu pensei a mesma coisa, achei que o amarelado era pra dar o tom de envelhecimento que a história pedia e até pra diferenciar o clima de Paris nos anos 20, mas pensei que era coisa da minha cabeça e acabei nem colocando no texto! Valeu mesmo pelo comentário!
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